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23.06.2020 às 09:14h - atualizado em 23.06.2020 às 11:23h - Coronavírus

Aumento de casos e poucos leitos, população precisa recuar para evitar novo lockdown

Márcia Macoski

Por: Márcia Macoski Campo Erê - SC

 Aumento de casos e poucos leitos, população precisa recuar para evitar novo lockdown
Foto: Lucas Maciel

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Para evitar que pacientes com qualquer outro sintoma que não seja relacionado à Covid-19 ou até mesmo em casos de emergência tenham contato com aqueles que procuram a unidade com sintomas respiratórios, foi montada uma estrutura externa para o pré-atendimento, e até aqui a estratégia vem funcionando bem já que nenhum profissional da equipe da UPA de Francisco Beltrão/PR, foi contaminado pelo coronavírus.

Segundo o diretor da UPA 24 horas, John Ronchesel, que também faz parte do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, a equipe que está à frente das ações no município ganhou tempo para preparar a estrutura e montar a estratégia de atendimento graças ao lockdown tão criticado no início da pandemia. “Nossa região foi relativamente poupada no início da pandemia no Brasil, esse retardo nos deu tempo para nos prepararmos enquanto o comércio estava fechado e as pessoas de fato estavam isoladas, podemos treinar nossa equipe e montar toda a nossa estrutura para evitar a contaminação dos profissionais da saúde, o que poderia ter sido muito pior no combate ao vírus”, afirmou Dr. John.

Para a coordenadora geral da UPA Kelli Zanette, não basta que os profissionais de saúde e apenas uma parcela da população estejam cumprindo com as medidas de prevenção ao vírus, principalmente agora quando a situação parece crítica.

“Estamos fazendo todo o possível, dando treinamentos, equipando todas as unidades de saúde e nos reunindo constantemente, e agora precisamos do apoio da população, evitar neste momento mais crítico as reuniões de famílias em jantares e confraternizações mesmo de grupos pequenos, evitar aglomerações em parques e em bares”, disse Kelli.

Comércio segue as regras, mas população falha nos bairros. Esse é um relato comum dos profissionais de saúde constatado por fiscais e pelos próprios moradores é o relaxamento quanto às medidas preventivas nos bairros e comunidades. Enquanto na área central onde há maior concentração do comércio e fiscalização as pessoas aderem ao uso de máscara, nos bairros é comum ver crianças e adultos interagindo com famílias vizinhas sem qualquer preocupação com aglomeração, sem falar nos bares lotados.

Treinamento com caminhoneiros

Entre os 92 casos confirmados até esta segunda-feira, 22, 15 são caminhoneiros, sem contar os familiares que foram infectados após o contato com os profissionais do transporte. Para conter o foco nos casos relacionados aos motoristas, uma equipe de profissionais altamente qualificada para o combate ao coronavírus está treinando os caminhoneiros para evitar que eles fiquem expostos ao vírus. Através do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus estão sendo realizadas reuniões com os profissionais do transporte para que durante as viagens eles tenham acesso às mesmas técnicas utilizadas por profissionais da saúde durante situações de pandemia.

“Através de um contato com o Sest/Senat e empresas de transporte nós obtemos informações sobre a logística do transporte e fizemos os treinamentos em grandes empresas do ramo e o caminhoneiro que não teve tempo de passar por este procedimento, tem acesso aos testes rápidos para ficar em observação e aí descobrirmos se precisa ficar em isolamento”, afirmou Dr. John.

Escassez nos leitos de UTI

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, Francisco Beltrão tem hoje ao todo 44 leitos de UTI, somando Hospital São Francisco, Hospital Regional do Sudoeste, Ceonc e Policlínica São Vicente de Paula. Atualmente segundo o último boletim do Covid-19, divulgado nesta segunda-feira, 22, dos 14 leitos destinados à Covid, apenas três estão disponíveis, e ao todo apenas oito leitos ainda estão vagos.

Segundo Dr. John, esse é outro ponto que reforça a necessidade de a população recuar e permanecer em casa até que os números estejam sob controle. “Os números de hoje são reflexo de 10 a 15 dias atrás, então estamos observando que com os números crescendo agora precisamos evitar que o sistema de saúde entre em colapso, ou seja, ter mais pacientes do que a gente pode atender – nós vimos que há vários dias o Hospital Regional está com os leitos UTI Covid ocupados, os leitos de observação da UPA frequentemente tem pacientes aguardando as vagas e o Hospital São Francisco também tem uma lotação muito grande, então a população tem essa responsabilidade de cuidar da saúde coletiva”, afirmou.

Fonte: PP News

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