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17.11.2017 às 08:34h - atualizado em 17.11.2017 às 08:36h - Saúde

Uso racional de medicamentos: os riscos da automedicação

Cristian Lösch

Por: Cristian Lösch São Miguel do Oeste - SC

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O uso racional de medicamentos acontece quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. No entanto, a realidade apresentada é bastante diferente. Pelo menos 35% dos medicamentos adquiridos no Brasil são comprados por automedicação.

A automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, para tratamento de doenças cujos sintomas são “percebidos” pelo usuário, sem a avaliação prévia de um profissional de saúde. É importante entender que o medicamento é apenas um instrumento técnico que faz parte da atenção à saúde, assim como um leito hospitalar ou um exame complementar de laboratório, não sendo capaz de resolver, por si só, em inúmeras vezes, os problemas das pessoas.

Os motivos que levam as pessoas a praticarem a automedicação, são a autoconfiança por acharem que conhecem as medicações necessárias para amenizar sinais e sintomas; confiança na farmácia ou drogaria que comprou o medicamento; insatisfação com o sistema de saúde; conselho de outras pessoas, família e amigos.

Sem orientação e o uso incorreto, os medicamentos podem causar graves problemas, como intoxicação, reação adversa, interferir no efeito de outros medicamentos, além de mascarar sinais e sintomas de uma doença grave e retardar seu diagnóstico, podemos citar também a resistência aos antibióticos quando estes são usados incorretamente. No Brasil, os medicamentos são a primeira causa de intoxicação em seres humanos e a segunda causa de mortes por intoxicação. Pesquisas demonstram que mais de 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou usados incorretamente.

Apesar dos medicamentos salvarem vidas e melhorarem as condições de saúde das pessoas, eles não devem ser tratados como mercadorias e usados indiscriminadamente, pois neste caso, estarão contribuindo para o “adoecer” da população. Não se iluda com propagandas, a promessa como: alívio rápido dos sintomas, é uma prática atraente realizada pela mídia.

Os efeitos negativos dos medicamentos também interferem nos sistemas público e privado de saúde. Os gastos públicos com problemas relacionados aos medicamentos são incalculáveis e os hospitais sofrem com reinternações em decorrência de complicações causadas pelo uso inadequado de medicamentos. Nas unidades de emergências, 40% dos pacientes são atendidos em decorrência de problemas causados por essas substâncias.

Antes de realizar a compra de medicamento, solicite avaliação de um profissional de saúde. Questione o farmacêutico durante a compra, tire suas dúvidas, pergunte: qual o melhor horário para administrar os medicamentos, como devem ser usados e armazenados, duração e efeito esperado do tratamento, quais reações adversas podem causar, se você pode ou não cortar os comprimidos. Compreender sobre o efeito dos medicamentos que você usa e sobre o seu tratamento é muito importante para se obter sucesso terapêutico. Em caso de aparecimento de reações adversas leves procure seu médico ou oriente-se com o farmacêutico, porém quando estas reações são aumentadas procure imediatamente um serviço de saúde.

Samira Pazetto Issa, farmacêutica clínica do Hospital Regional Terezinha Gaio Basso.

CRF/SC 8522.

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