16.02.2026 às 06:49h - Geral
Santa Catarina registrou 392 denúncias de trabalho infantil em 2025, de acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT). O número é o quinto maior do país e mostra um crescimento em comparação com 2021, quando foram registradas 138 denúncias no Estado.
Mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes, com idades entre 5 e 17 anos, estavam em situação de trabalho infantil no Brasil em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Menos de 1% desse total foi alcançado pela fiscalização do Ministério do Trabalho.
Durante o ano de 2024, somente 2.745 crianças e adolescentes foram afastados dessa condição em ações da auditoria fiscal, indica o Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil (Radar SIT), do MTE.
O Disque 100, serviço anônimo e gratuito disponibilizado 24 horas por dia para denunciar violações aos direitos humanos, recebeu cerca de 4,2 mil denúncias envolvendo trabalho infantil nesse mesmo período, de acordo com o Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Já no ano passado foram 5,1 mil denúncias, um crescimento de 19,4%.
Uma alta também foi registrada nos dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), que indicou 7,9 denúncias em 2025 contra 5,8 mil em 2024, aumento de 36,6%. São Paulo lidera, com 2.124 denúncias, e é seguido de Minas Gerais (918) e Paraná (529).
Ranking de denúncias de trabalho infantil (2025)
São Paulo: 2.124
Minas Gerais: 918
Paraná: 529
Rio Grande do Sul: 426
Santa Catarina: 392
Pernambuco: 357
Rio de Janeiro: 345
Bahia: 305
Amazonas: 282
Goiás: 252
Mato Grosso do Sul: 222
Ceará: 192
Pará: 182
Alagoas: 170
Espírito Santo: 150
Distrito Federal: 134
Rondônia: 138
Tocantins: 129
Paraíba: 127
Mato Grosso: 112
Piauí: 114
Acre: 119
Rio Grande do Norte: 99
Roraima: 96
Maranhão: 83
Sergipe: 55
Amapá: 8
Como denunciar casos de trabalho infantil
As denúncias podem ser feitas por diferentes canais, sendo que no Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) é possível denunciar pelo site ou com as equipes de plantão. Também é possível acessar a página nacional do Ministério Público do Trabalho, ouvidorias dos tribunais da Justiça do Trabalho, Conselho Tutelar de sua cidade, Delegacia Regional do Trabalho mais próxima e Secretarias de Assistência Social. Outra alternativa é denunciar pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que também funciona no WhatsApp e no Telegram.
Impactos no desenvolvimento da criança
A professora Chrissie Carvalho, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), doutora em Psicologia do Desenvolvimento, detalha que o trabalho infantil causa impactos em diversos pilares básicos do neurodesenvolvimento da criança.
— O fato de se envolver em práticas de trabalho pode estar impactando desde as rotinas básicas da criança, que é a necessidade de sono, de segurança, de alimentação, o tempo que ela tem para brincar, para ir para a escola — explica a professora.
Dessa forma, o cérebro da criança que está em uma condição de trabalho infantil se desenvolve em um ambiente de estresse extremo, com fatores de risco como pressão, risco de abuso, maus-tratos e contexto de vulnerabilidade.
— Muitas vezes, a criança que precisa trabalhar está no contexto de vulnerabilidade. Às vezes ela até assume a carga financeira da família. Então isso tem uma repercussão em termos também de saúde mental, de ansiedade, de ter de trazer dinheiro para casa — detalha a especialista,
Outros aspectos afetados são o desenvolvimento da linguagem, até pelo afastamento do ambiente escolar, impacto no progresso acadêmico, menos oportunidades de interação e estimulação, impactos nas funções executivas e aspectos socioemocionais.
Durante o período da infância, os efeitos são sentidos de forma mais imediata na rotina escolar e em um menor tempo e disposição para outras atividades, como a brincadeira. Porém, essa situação é carregada ao longo da vida e pode se manifestar mais tarde através de outras questões.
— Não vai se limitar à infância, também vai gerar adultos com dificuldades de relacionamento, dificuldades na saúde mental, com possíveis transtornos de ansiedade, problemas no sono, menor capacidade cognitiva — explica Chrissie.
A depender da intensidade e duração dessas experiências, as marcas podem ser mais ou menos profundas. Contudo, em todos os casos, a intervenção é possível e traz novas possibilidades, através do acesso a políticas públicas e à educação, para conseguir reverter essa janela de tempo de desenvolvimento.
— Realmente, a intervenção ou você tirar a criança dessas circunstâncias ainda é o melhor caminho. E sim, ele vai trazer possibilidades dessa criança se desenvolver e reparar algum desses danos — pontua.
Fonte: NSC Total
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