15.03.2019 às 16:28h - atualizado em 15.03.2019 às 17:09h - Variedades

Carga mental das mulheres: um trabalho invisível e pesado

Bruna Hohensee

Por: Bruna Hohensee São Miguel do Oeste - SC

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Quando se pensa em trabalho doméstico é automático fazer uma associação com a figura feminina. Embora hoje se perceba um movimento maior de homens que tomam as tarefas do lar para si, o tempo gasto pelas mulheres nas atividades de casa ainda continua sendo quase o dobro do tempo gasto por eles. Segundo pesquisa feita pelo IBGE em 2017, as mulheres passam 20,9 horas por semana realizando atividades domésticas, enquanto os homens dedicam apenas 10,8 horas a essas tarefas.

E já há muito tempo essas mesmas mulheres que cuidam da rotina de casa fazem também parte do mercado de trabalho, acumulando assim dois “empregos”. Só que aquele relacionado ao lar parece ser invisível aos olhos de muita gente. Esse trabalho de gerenciar todas as atividades de casa – quando recaído apenas sobre a mulher – gera uma carga mental que prejudica sua saúde psicológica, emocional e até física.

A psicóloga Silvana Calixto explica que esse estresse é mais comum nas mulheres também porque elas costumam antecipar as situações e os possíveis problemas. É algo característico de grande parte das mulheres. O fato de pensar sem parar nas atividades que precisam ser realizadas e, além disso, imaginar o que pode acontecer a qualquer momento geram essa sobrecarga. E claro, as modulações hormonais sofridas também contribuem na intensidade desses sentimentos, de acordo com a especialista.

O perigo da carga mental está no fato de que ela é facilmente confundida com um cansaço comum. Quando se realizam muitas atividades durante o dia, naturalmente o cansaço vem, mas enquanto se consegue revigorar a força com uma boa noite de sono, está tudo certo. O problema é que, na sobrecarga mental, a mulher acaba se fixando somente nas atividades que precisa desempenhar, seja por força do hábito ou da necessidade e não consegue descansar.

Mas pior do que não descansar é ter a oportunidade de relaxar e acabar se sentindo culpada. Muitas mulheres vivem como se precisassem estar executando uma tarefa imprescindível a todo momento. A frequência e intensidade de alguns sintomas físicos são as principais características a serem observadas quando a carga mental chega a limites extremos, de acordo com a psicóloga Ana Caroline Bonato. “Dores, alergias, queda de cabelo, gastrite, mau funcionamento do intestino, aumento do desejo por alimentos são algumas amostras de que há alteração severa na área emocional e psicológica”, explica. “E esse estado de saúde gera o sentimento de não dar conta, de incompetência, de solidão, desamparo e é muito comum que se perca até mesmo a identidade nesse momento”, afirma Ana Caroline.

Para superar essas alterações, a orientação de Ana às mulheres é para que tomem cuidado para não se tornarem as únicas gerentes de casa. É importante que as pessoas que convivem no mesmo lar sejam convidadas a compartilhar tudo isso, entendendo que cada um tem seus deveres, responsabilidades, assim como tem direito de usufruir do ambiente. E, para isso, o diálogo é fundamental.

Mesmo em casas onde o trabalho é dividido igualmente com o homem e também com os filhos, muitas mulheres preferem “tomar as rédeas” e isso pode ser prejudicial não somente para ela, mas para toda a família. “É uma armadilha grande. Muitas mulheres acham que as coisas têm que ser feitas do jeito delas, no tempo delas, isso faz com que ela ache que somente ela pode dar conta de uma determinada tarefa”, explica Ana Caroline.

Por isso, superar todo esse estresse acumulado é um movimento que a mulher pode começar ao compreender que ela não precisa dar conta de absolutamente tudo e que pode e deve contar com a ajuda das outras pessoas. “Talvez alguém pendure a roupa de uma forma diferente do que ela, mas não quer dizer que seja ineficaz, só é um jeito diferente de fazer a mesma atividade. Esse é um cuidado bem importante, porque as vezes isso acaba sendo um tiro no pé”, alerta a psicóloga.

Fonte: Sempre Família

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