11.02.2026 às 09:03h - Geral
Dois casos em que as versões da Polícia Militar e de pessoas envolvidas em ocorrências no último fim de semana reacenderam a discussão sobre o uso de câmeras corporais por policiais em Santa Catarina. A corporação parou de usar os equipamentos no fim de 2024, quando a PM alegou problemas técnicos para manter o programa. Agora, 40ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina está ingressando como parte na ação ajuizada pela Defensoria Pública do Estado em prol do uso das câmeras.
O objetivo do MP é reforçar a obrigatoriedade e a necessidade do uso das câmeras. Além de ingressar na ação que já existe, o órgão também prepara uma ação para determinar a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais nos casos de ingressos em residência sem mandado judicial, nos confrontos nas ruas e nos casos envolvendo violência contra a mulher, como violência doméstica e casos de feminicídio.
Uso de câmeras corporais em SC
O programa de uso de câmeras corporais pelos policiais militares catarinenses iniciou em agosto de 2019, com mais de 2,4 mil equipamentos adquiridos em um investimento de R$ 3 milhões. De acordo com um levantamento feito pela Defensoria Pública do Estado em 2024, as imagens obtidas pelas câmeras corporais foram usadas como provas em 76% das decisões judiciais de 90 processos envolvendo policiais em Santa Catarina.
Já em 2025, a Defensoria Pública ajuizou uma ação civil pública com um pedido de explicações ao Estado sobre a suspensão das câmeras e pedindo a retomada do uso do equipamento. A Justiça determinou, em setembro do mesmo ano, que o Estado apresente estudos sobre o uso das câmeras. O prazo vai até março.
À NSC TV, o Governo do Estado informou que quem responde pelo tema é a Polícia Militar, que por sua vez afirmou que os estudos para o uso dos equipamentos estão em andamento.
Ações polêmicas foram registradas no fim de semana
O Ministério Público também abriu procedimentos para verificar se houve crime por parte dos policiais em duas abordagens feitas no fim de semana. Em Braço do Norte, no Sul do Estado, um policial rendeu um homem em um posto de gasolina no sábado (7). Em cenas gravadas por celulares de pessoas que presenciaram as ações dos policiais, é possível ver que o PM se aproxima do homem apontando uma arma, ordenando que ele vire de costas, após receber uma denúncia de tráfico de drogas.
Em determinado momento, uma mulher se aproxima do local, aparentemente filmando com o celular. Outro policial grita para que ela se afaste e outro agente a puxa pelo braço, quando ela cai no chão. A mulher ainda é imobilizada. No momento em que a viatura chega ao local, a moça é solta, mas o rapaz segue imobilizado.
Sobre esse caso, a Polícia Militar informou que será instaurada uma sindicância para apurar a conduta dos policiais envolvidos.
Já em Florianópolis, uma comemoração de um ano de uma barbearia na comunidade do Monte Cristo terminou em uma ação da PM. Nas imagens é possível ver um dos agentes dando um tapa no rosto de uma mulher que estava no chão. A Polícia Militar afirma que foi chamada por perturbação de sossego por causa do som alto e os agentes foram hostilizados com copos de vidros arremessados e por isso fizeram “uso progressivo da força”.
A mulher que leva o tapa aparece em outras imagens atirando um copo de cerveja durante a abordagem, mas ela afirma que o copo era de plástico. Segundo ela, o arremesso do copo aconteceu depois que os policiais fizeram o uso de spray de pimenta, e seu intuito era proteger crianças que estavam por perto.
— O policial agarrou o meu marido e foi aquela parte que aparece no vídeo, que daí foi onde tudo aconteceu. Está tudo ali no vídeo: eu e meu marido caímos, meu marido está com um copo de vidro que caiu da mão dele. […] Meu marido, no caso, tava tentando me defender e aconteceu aquilo tudo, aquela brutalidade deles. Já não é a primeira vez e nem será a última — disse.
Fonte: NSC Total
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