07.02.2026 às 08:07h - Geral

MP identifica lacunas e quer mais esclarecimentos sobre a morte do cão Orelha

Ricardo Orso

Por: Ricardo Orso São Miguel do Oeste - SC

MP identifica lacunas e quer mais esclarecimentos sobre a morte do cão Orelha
Foto: Divulgação, NSC Total

O Ministério Público de Santa Catarina identificou lacunas ao analisar o boletim de ocorrência relacionado a morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, e concluiu a necessidade de mais esclarecimentos e maior precisão na reconstrução dos acontecimentos. Por isso, o Ministério Público deve requisitar à Polícia Civil, nos próximos dias, diligências complementares nas investigações, conforme informou com exclusividade o colunista Anderson Silva, no Jornal do Almoço, na NSC TV, e no NSC Total, nesta sexta-feira, 6.

A análise foi feita pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e pela 2ª Promotoria de Justiça da Capital, da área criminal. De acordo com o órgão, as lacunas precisam ser completadas na apuração da possível participação de adolescentes em atos infracionais análogos a maus-tratos contra animais, relacionados à morte do cão Orelha.

O Ministério Público também informou que as apurações sobre a possível prática de coação no curso do processo e ameaça, que envolve familiares dos adolescentes investigados e um porteiro de um condomínio da Praia Brava, continuam em curso. Também foram solicitadas diligências complementares à Polícia Civil sobre o inquérito envolvendo os adultos, com ampliação e detalhamento da apuração dos fatos. O objetivo, segundo a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, é confirmar a inexistência de relação dos supostos crimes com a agressão tanto ao Orelha, quanto ao Caramelo, que também foi agredido mas sobreviveu.

A investigação relacionada aos adolescentes tramita em sigilo. O NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.

Diz o ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.”

Entenda

Orelha foi encontrado agonizando na praia no dia 5 de janeiro por moradores. Ele foi levado ao veterinário, mas, devido aos ferimentos, não resistiu. Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, contou que o animal tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.

O laudo da Polícia Científica mostra que Orelha levou um golpe forte na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por um objeto rígido, como madeira ou uma garrafa. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados ao longo do processo.

Na terça-feira (3), a Polícia Civil de Santa Catarina pediu a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha. Outros quatro adolescentes foram representados pelo caso do cão Caramelo.

De acordo com a Polícia Civil, o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava às 5h25min do dia 4 de janeiro de 2026. Perto das 6h, ele voltou ao condomínio com uma amiga, sendo esse um dos pontos de contradição no depoimento do adolescente. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas, com oito adolescentes suspeitos investigados. Uma das provas que levaram até o autor do crime foi a roupa utilizada, registrada nas filmagens.

O adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso. Ele ficou fora do país até o dia 29 de janeiro e foi interceptado pela polícia ao chegar no aeroporto.

Quando o adolescente chegou ao aeroporto, um dos familiares tentou esconder um boné rosa e um moletom que estava com ele, peças consideradas importantes pela Polícia Civil na investigação. O familiar também afirmou que o moletom foi comprado na viagem, mas o adolescente admitiu que já tinha a peça, usada no dia do crime.

O que diz a defesa do adolescente

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha, afirmaram que “as informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

Confira a nota na íntegra

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem indevidamente associado ao caso do cão Orelha, alertam que informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito.

Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes.

Fonte: NSC Total

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