04.02.2026 às 08:48h - atualizado em 04.02.2026 às 09:19h - Geral

Alesc volta à ativa entre harmonia com governo Jorginho e cálculos de partidos para eleições

Ricardo Orso

Por: Ricardo Orso São Miguel do Oeste - SC

Alesc volta à ativa entre harmonia com governo Jorginho e cálculos de partidos para eleições
Foto: Patrick Rodrigues, NSC

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) iniciou o ano legislativo nesta terça-feira, 3, com mostras de renovação de votos na relação de harmonia do parlamento com o governo de Santa Catarina. Por outro lado, também houve sinais de que o tabuleiro eleitoral a ser montado até julho deste ano pode exigir mais habilidade do governo Jorginho Mello para manter o amplo apoio na Alesc demonstrado nos três primeiros anos de governo.

O governo do Estado inicia o ano sem depender dos deputados para aprovar pautas estratégicas para a reta final do mandato. A avaliação é de que a maior parte das demandas já foi resolvida no pacote de mais de 80 projetos aprovados pelos deputados em dezembro. O período de eleições também fez o governo evitar deixar para 2026 projetos polêmicos, que poderiam ganhar contornos de proposta meramente eleitoral.

Uma das únicas pendências foi o projeto de regionalização do saneamento, que não avançou e foi retirado de pauta para ser mais discutido com prefeitos. Hoje, o governo admite que o tema pode até mesmo ficar para 2027. Com isso, a expectativa é de que a pauta da Alesc seja preenchida mais por projetos de deputados do que do Executivo.

Na mensagem anual lida em discurso de cerca de 10 minutos nesta terça-feira (3), o governador dividiu o crédito e destacou a parceria da Alesc na aprovação de projetos que estavam entre as principais bandeiras eleitorais do governo, como os programas Universidade Gratuita e Estrada Boa.

Para o último ano de gestão, o governador Jorginho Mello indica que uma das principais apostas deve ser o início das obras da rodovia Via Mar. A via paralela à BR-101 no trecho entre Biguaçu e Joinville, que pode ter um lote iniciado este ano, é vista como solução para a infraestrutura e mobilidade, uma das principais queixas de entidades empresariais, em uma região historicamente congestionada, o Litoral Norte de SC.

Desafio do governo no campo político

No campo político, no entanto, as relações e negociações entre partidos podem ter o ano mais intenso da gestão.

O movimento nacional do PSD de Gilberto Kassab, de prever lançar um candidato a presidente da República, com uma disputa interna entre os governadores Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, força o partido a confirmar a candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ao governo de SC, enfrentando o PL de Jorginho Mello nas urnas.

Não bastasse isso, o governador anunciou há duas semanas o nome do prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo, como vice na chapa em que irá concorrer à reeleição. O anúncio gerou reações no MDB, que havia ouvido do próprio Jorginho que o partido seria o provável dono do espaço de vice. Na semana passada, os emedebistas se reuniram, decidiram desembarcar do governo e discutir candidatura própria ou conversar com outros partidos sobre apoio na corrida pelo governo do Estado. Até o momento, no entanto, apenas o deputado federal Carlos Chiodini, que era secretário de Estado da Agricultura, entregou o cargo.

Questionado sobre o tema, o governador Jorginho Mello minimizou o risco de que essas idas e vindas na relação com esses partidos possam interferir no humor da Assembleia a respeito dos projetos do governo.

— Nunca nos faltou apoio da Assembleia, e de forma republicana. Todos os projetos que aportam aqui nesta Casa são estudados por nós e fazem sentido. Muitas vezes o projeto vem, a gente combina o projeto a ser encaminhado, depois os nossos secretários vêm aqui, conversam com as lideranças, eu chamo os deputados na [Casa da] Agronômica, como já fiz muitas vezes, para explicar por que estamos enviando, qual o objetivo. A Casa tem tido a capacidade de melhorar, de fazer emendas, isso é do parlamento. Eu respeito isso, e não tenho dúvida de que vamos continuar trabalhando, fazendo Santa Catarina crescer e tendo apoio político — respondeu.

Secretário de Estado da Casa Civil, ex-deputado e responsável por fazer a interlocução do governo com a Alesc, Kennedy Nunes reconhece que o ano eleitoral pode fazer da Assembleia um ambiente mais sensível para o governo.

— A Assembleia é uma panela, no bom sentido, onde se constroem os bons projetos com o processo das comissões, as ideias de cada deputado. Mas em ano eleitoral, o fogo nessa panela é um pouco mais intenso, e a gente tem que tomar cuidado para não queimar. Existem as intenções, os projetos políticos de cada integrante da Casa, do governo também, então temos que ter maturidade para saber lidar com isso — avalia.

Fonte: NSC Total

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