02.02.2026 às 21:48h - Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas indicações terapêuticas para a semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos amplamente conhecidos pelo uso no emagrecimento. A substância atua no organismo ao aumentar a sensação de saciedade, retardar o esvaziamento gástrico e melhorar o controle dos níveis de glicose no sangue.
Com a decisão, medicamentos já utilizados no Brasil para perda de peso passam a ter o uso ampliado no tratamento e controle do diabetes mellitus tipo 2, além da redução do risco de complicações cardiovasculares e renais.
No caso do Wegovy, medicamento desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, a Anvisa autorizou a indicação para a redução do risco de eventos cardiovasculares adversos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), em adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso.
O estudo apresentado à agência reguladora apontou que, quando associado a uma dieta hipocalórica e ao aumento da atividade física, o uso da semaglutida reduziu de forma significativa a ocorrência desses eventos. A estimativa é que, anualmente, cerca de 400 mil brasileiros morram em decorrência de infarto ou AVC.
Outro medicamento à base de semaglutida, o Ozempic, também fabricado pela Novo Nordisk, teve o uso autorizado no tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 2 associado à doença renal crônica.
No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), divulgados em 2024, indicam que 29% dos pacientes em diálise no país são diabéticos. Segundo estudo apresentado pelo fabricante, o uso do medicamento, em conjunto com a terapia padrão, reduziu de forma relevante a progressão da insuficiência renal e as mortes por eventos cardiovasculares adversos graves.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), com base em dados do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20 milhões de brasileiros vivem com diabetes, sendo a maioria dos casos do tipo 2.
A condição ocorre quando o organismo não utiliza adequadamente a insulina que produz ou quando não produz o hormônio em quantidade suficiente para manter a glicemia sob controle. Já o diabetes tipo 1, que afeta aproximadamente 600 mil pessoas no país, está associado a fatores genéticos, quando o sistema imunológico ataca as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.
A Anvisa também aprovou, nesta segunda-feira (2), uma nova indicação terapêutica para o Tezspire (tezepelumabe). O medicamento, anteriormente utilizado no tratamento da asma grave em pacientes a partir de 12 anos, passa agora a ser indicado como tratamento complementar da rinossinusite crônica grave com pólipo nasal em adultos.
A indicação vale para pacientes cujos tratamentos prévios não foram eficazes, bem como para aqueles que apresentam intolerância ou contraindicação ao uso de corticosteroides sistêmicos ou à realização de procedimentos cirúrgicos.
A rinossinusite crônica com pólipos nasais é caracterizada pela inflamação da mucosa e dos seios paranasais, associada à formação de pólipos. Estima-se que até 4% da população seja afetada pela condição, que provoca impacto significativo na qualidade de vida, especialmente devido à obstrução nasal persistente e à perda do olfato.
Fonte: ND +
Comentar pelo Facebook