A grande nevasca, registrada nos dias 20 e 21 de agosto de 1965, completa 61 anos como o evento climático mais marcante da história de Iporã do Oeste e ainda está viva na memória de moradores da região. O fenômeno, provocado por uma massa de ar polar de intensidade histórica, cobriu o município de branco e transformou completamente a paisagem local.
Em entrevista à Rádio Oeste, Marino Müller, natural de Santo Antônio, no interior de Itapiranga, hoje morador de Iporã do Oeste contou que aos oito anos precisou caminhar na neve e no frio intenso para voltar para casa depois da escola. O fenômeno atípico cobriu lavouras, residências e estradas com uma espessa camada de gelo, que alterou a rotina dos moradores do município.
Marino Müller, que atualmente é vice-presidente do Conselho Municipal dos Idosos e presidente do Grupo Quatro, relatou que a nevasca começou por volta das nove horas da manhã. Ele conta que poucos alunos chegaram à escola. Com o frio intenso, algumas crianças choravam e já não sentiam os pés. A professora Hilda Heck levou os estudantes para casa e colocou os pés deles em água quente para tentar aquecê-los, relata Marino. Por volta das 11 horas, os alunos foram liberados para retornar às comunidades onde moravam. Marino contou ainda que caminhou cerca de um quilômetro descalço e de calça curta. Sem conseguir continuar, ele e outros estudantes pararam junto à estrada para aquecer os pés em uma corrente de água. Um vizinho, identificado como Léo Müller, encontrou o grupo e levou as crianças para casa sob o poncho.
Em pouco tempo, a neve acumulada bloqueou os caminhos de terra entre o centro e as comunidades do interior. A ausência de rede elétrica e a limitação dos meios de comunicação da época mantiveram famílias isoladas durante o pico do frio.
O entrevistado também recordou as dificuldades enfrentadas pelas famílias naquela época. Segundo Marino, faltavam roupas adequadas, transporte e atendimento médico. Ele contou que sua mãe costurava roupas para os filhos e que, em muitas famílias, as peças passavam dos mais velhos para os mais novos.
O impacto na agricultura causou prejuízos imediatos. As temperaturas negativas queimaram pastagens e destruíram culturas de subsistência. Os produtores rurais precisaram criar abrigos de emergência para evitar a perda do gado. A neve demorou cerca de três dias para derreter completamente.
Registros de moradores mostram que, em alguns pontos do município, o acúmulo da camada de neve chegou a atingir 30 centímetros. Os registros fotográficos mais famosos daquele dia foram feitos pelo fotógrafo Nelso Flores. As imagens mostram locais como a atual Esquina Gaúcha e o trevo de acesso a Iporã do Oeste totalmente cobertos de gelo. Essas fotografias históricas e a máquina utilizada na época estão expostas para preservação na biblioteca municipal.
Passados 61 anos, o episódio permanece vivo na memória de Marino Müller, dos moradores mais antigos e nos registros históricos locais. A nevasca de 1965 segue como a principal referência de frio extremo na história do Extremo Oeste catarinense.
Confira a entrevista na íntegra
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